Carta de uma solitária a lhe fazer companhia

 

Fonte: Youtube

-Sozinho?

-Sozinho. Sozinha?

-Sozinha.

-Vamos beber.

O abismo entre estar sozinho, sentir-se sozinho e sermos ou não incompletos como seres humanos traz a tona a velha questão da busca de uma felicidade concreta que nossos velhos amigos filósofos repensaram incessantemente e que não vai ter fim. É meu amigo, a felicidade é construída como você também é.

Feitos pra mudar, baseados em experiências, metamorfos ambulantes em um universo de mutantes.

Complexamos atos, subtraímos pessoas, somamos desilusões, desumanizamos-nos inconscientemente para justificar nossas tristezas. Martirizamos-nos com os fatos, beiramos a loucura em crise existencial grave (ou não). Enrolamos as mágoas nas cobertas junto a nós e lá ficamos. Engolimos a seco nossas verdades com o brigadeiro de cada sábado à noite na solidão da nossa própria companhia. Desaguamos tudo ao alto som de Avenged trancados no quarto. Bebemos para esquecer o que não será esquecido.

Julgo que ser feliz junto a um outro consiste fundamentalmente em entrar em equilíbrio consigo, encontrar beleza na sua totalidade, seja na alegria ou dor, e talvez encontremos respostas em nós que nunca encontraríamos em qualquer outro sujeito. Nosso compromisso mais duradouro é e sempre será com nós mesmos e tal feito resulta em refletirmos como uma luz inebriante o mundo que nos rodeia.

Resta-nos, ao menos, viver mais leve, sentir menos breve, tornar nossas incompletudes parceiras de jornada. Porque se tem uma coisa da qual não podemos fugir meu caro, é da vida, ela não passa como as pessoas que deixamos de conhecer nas esquinas da cidade, ela voa como as folhas que teimamos em ignorar naquela tarde fria no outono de 2010…

Com amor, de uma solitária a te fazer companhia.

Colisão da Meia Noite

carrie fischer

Te desejo que o dia seja bom e que nele você não encontre ninguém com quem compartilhar as coisas que só faziam sentido de ser engraçadas comigo. Não preciso ser hipócrita nos meus livros e fingir a absurda falácia de que estou feliz de te ver cruzando a rua com outra mulher que não sabe dos seus pânicos, medos e não entende seu humor.

Sou orgulhosa o bastante pra seguir em frente te fazendo acreditar que está tudo bem e que a maturidade me atingiu cheia de superação, mas a verdade é que não. Não, você não tem um rostinho bonito. Não tem um carro estiloso, não terminou essa droga de faculdade. Mas tem a risada que eu adoro e que o tempo não deixa esvair da minha mente. Tem o jeito de alegrar os dias destruídos, por qualquer abismo. Tem as mãos quentes, colidindo com meu corpo frio. Meu coração derretendo só de me ver em  teu olhar.

Não posso te querer, não posso te encontrar, te olhar. Tudo está no lugar.

Minha vida de ambições medíocres, a poupança bancária, as leituras, os textos sendo escritos. Os encontros, os beijos, as convenções humanas, a vida sexual. Tudo está no lugar. Do jeito que achei que devia ser. Dia após dia tentando encontrar a gratidão por cada coisa em seu lugar. Tentando.

À noite quando deito e viro de lado, sinto a fragilidade do meu ponto fatal. Entre meus seios iluminados pela mórbida luz que entra pela janela das tristezas. O grito mudo e silenciado por lágrimas que já não escorrem, implorando e explodindo em ecos do vazio, que você venha correndo com seu caos pra dentro de mim.

Que vire tudo do avesso pra que então, francamente, eu possa dizer:

“Tudo está em seu lugar”.

Angel

I’m going back to 505

 

I’m going back to 505.

Já diria Alex Turner. Mas digo eu, Angélica, que estou voltando pro lugar onde estou encarcerada a você. Onde seus sorrisos eram pra mim, você abria portas e as minhas pernas como ninguém. Isso tudo é uma droga, essa coisa de você não estar mais aqui. Cheguei a pensar que se alguém fizesse direito com meu corpo, meu coração parasse de voltar pras noites onde eu sabia que deveria prestar atenção e desfrutar cada segundo, porque sempre que algo soava bom daquele jeito… Acabava rápido demais.

A última badalada. Se foi. Você com ela.

Quantas delas?

 

Abstinência

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Fonte: Tumblr

É uma droga te ver

e não querer teu beijo junto a um abraço quente

É uma droga te ver

em braços junto a outros corpos que não o meu

É uma droga ver

que o tempo passa e não aproxima tua boca da minha

É uma droga sentir a tua falta

sem poder te ter de volta

É uma droga descobrir todo dia

que nunca te tive pra mim

É uma droga pensar num futuro

que não seja aquele com nossos filhos

e tuas palavras a me acordar numa quinta-feira de manhã

É uma droga esse efeito seu sobre mim

esta droga da qual me tornei viciada

e pela qual estou sob abstinência.

Amanhã

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Fonte: Tumblr

 

O sol está em todas as manhãs

nem sempre a gente vê.

Te amei assim

Como uma manhã de inverno

Fria, silenciosa

 

Poderia ter te amado verão

E nem assim

Amoreceria.

Confusa pela manhã

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We heart it

Eu digo que nada faz sentido, mas os meus dedos caminham pelo teclado como se fossem a sua própria casa. Quando estou sozinha é o melhor que faço. É quando me sinto bem. É como gritar pro mundo toda minha dor, raiva, amor, alegria, é sentir a felicidade.

Eu amo isso e eu poderia viver fazendo isso. Todos os dias eu deveria fazer. Mas a vida é muito corrida, temos o trabalho de verdade, a aula pela noite. O sono por conta do cansaço. Eu que sou péssima na gramática, em falar em publico e ainda assim amo escrever e palestrar.

Eu tão curiosa, tão amante das paixões, tão sensitiva, eu que só queria ser feliz. Isso me faz feliz. Como escrever deixa as coisas melhores. Como eu corri pra deixar aquele artigo do melhor jeito que pude até o último momento. E ainda sim, insegura.

Essa insegurança, essa falta de confiança. O que é? Acordei com a auto-estima lá em cima, eu gosto do que vejo no espelho. Mas o que me deixa triste? O que me faz chorar sem nem saber o motivo? Estou seguindo o caminho certo?

Essa responsabilidade toda. O que é?

Eu sou mulher, eu gosto de homens. Mas será que eu realmente gosto de homens? Eu sou mulher, mas eu sou mulher? Eu sou um ser humano, mas eu sou humana? O que a humanidade sofre não é minha culpa, mas como concerta?

Eu que sempre quis ser super-heroína, preciso de ajuda agora. Eu que sempre estive tão certa, estou perdida. Eu não sei o que acontece, eu não sei porque gosto do que não sei. Eu simplesmente… Não sei.

E eu que sempre quis saber, não sei o que fazer…

Me perdoa, me desculpa, por que não canso de botar a culpa em mim?

Eu não sei o que fazer e faço sem saber e mesmo assim, estou aqui.

Não sei gritar, mas por favor, me escute. A vida está um vazio tão grande, que não sei como preencher. Não é fugir o jeito certo de resolver, mas pedir um recomeço é fugir.

Então sim, eu quero fugir.

Beatriz.

 

E eu que te amo, gosto deles…

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Fonte: We Heart it

Eu pensei em te dizer tudo o que eu sinto e mais uma vez foi um erro, mais uma vez você fez descaso disso e me tornou o problema. Mas o problema não sou eu. O problema disso não dar certo não é minha responsabilidade. Já cansei de tentar. Já cansei de falar. Já cansei de escrever. Mas de novo, eu estou aqui.

Eu te amo e isso não é nenhum segredo. Mas você não tem coragem de sentir. Nada. N.A.D.A. E o que eu poderia fazer? Continuo minha vida do jeitinho que ela está, encontrando outras bocas, outros corpos, quem sabe um dia alguém que valha a pena tentar.

São casos aqui, são casos do lado dai. Quem sabe um hora as coisas mudem, mas eu parei de esperar, parei de desejar. Eu só parei. Parei de cantar as musicas que me lembram você, parei de querer não querer te esquecer. Eu to deixando ir e estou sentindo ir.

Não acho que o amor vá morrer, só acho que eu vá amar alguém que me queira também, sem medo. S.E.M.M.E.D.O. Mas quando eu estou sozinha não doí mais, não sufoca mais, não é como se eu ainda gostasse disso. Só está lá.

Eu não tento mais responder os seus emoticons. Eu não tento mais. Eu estou aqui, ainda é tempo, mas você não vai vir. Acabou a esperança. Olha, logo a minha, que nunca acaba. Nunca morre. Você conseguiu provar que não vai mudar “não por agora”, não enquanto eu estiver aqui. Não pra mim. Ou nós.

E tudo bem, é uma pena, mas tudo bem. Eu não morro mais antes de dormir. Eu não morro mais quando acordo as cinco da manhã e não tem nada na tela do celular. Eu não morro mais de amores por quem nem amor sente. Eu amo você.

Mas eu posso gostar de outros.

E está tudo bem, Beatriz.

Arestas

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Fonte: Tumblr

Estou cansada de arrastar minhas esperanças pelos corredores escuros e frios de teu coração. Preciso de espaço e distância pra separar o que é seu e o que foi meu anterior a ti. Não existe nada que seja nosso a essa altura.

Há apenas essa ferida em ambos corações, ainda que a tua esteja cicatrizada, a desilusão te levou a entrega. Suas mãos estão tão frias…

A minha, não aceita suturas. Quer ser esse ácido vívido envenenando as palavras que saem ainda amargas de minha boca. No fundo, nem vinhos, nem cigarros anestesiam a minha vaidade.

Sigo tangendo por tuas arestas sem nunca me alinhar.

Angel ❤

Last Feather

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Fonte: Google Images

Num sonho posso te abraçar com uma saudade mais forte do que em meus braços nunca pude. Posso em teus cabelos deslizar meus dedos com o tempo infinito de uma noite inteira. Onde o tempo não é contado em segundos e minutos, onde as horas nada significam. Tu moras no meu paraíso privado, onde minhas riquezas não se podem acumular. Onde meu bem mais precioso é deitar na areia e sentir o calor do sol secando a água e o sal de minha pele. Minha riqueza imaginária é acordar ao teu lado na simplicidade de uma casa com janelas grandes e cortinas brancas. Observar tua pele adquirindo traços, teu sorriso ganhando significados ainda desconhecidos.

Minha alegria particular é ouvir tua voz pela manhã, ressoando o nascer do sol pelos cômodos. Ainda assim os fiéis sinos não falham e atravessam comigo para a outra margem do rio.

Deste lado dual da realidade não existem cortinas brancas dançando, nem Elis tocando. Apenas poeira na antiga vitrola. Ainda que eu acredite que só tinha de ser com você, outra pessoa segurou minha mão e deixei que ela permanecesse ali. Como um adorno, que era bonito de se mostrar, conveniente de se ter e que não me rendeu uma lágrima tão triste quanto as que derramei em teu nome.

Às vezes, aceitamos sentimentos torpes por medo de continuar a vagar por alamedas fantasmas, onde lembranças não duram mais do que uma noite. Toda a mentira encontra sua paz e seu descanso na verdade implícita nos olhos de quem a conta. Já era hora de ter as mãos livres.

O amor na prática é sempre ao contrário. Meu ritual continua, seguido de uma prece, um vento suave que me acaricia o rosto. Um aviso vindo de algum lugar, alertando-me que deixe as portas abertas, pois meu amor vem devagar e confuso. Nem ele sabe que está vindo pra ficar, vem vindo em sua própria romaria, observando estrelas e andando em círculos. Até o dia em que encontrará a si mesmo, e por fim a última pena de suas grandes asas.

With so much love

Angel

Mulher Por Quem Sabe

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Fonte: we heart it

Como podemos perceber o texto “Mulheres” (autor desconhecido) é antiquado, machista e o autor deste não sabe o que é ser mulher. Uma vez que, descreve a mãe, a filha, a irmã, a dona de casa, empregada. A submissão.

Mulher não é um ser a parte, mulher não é um ser divino, mulher não é espiã. Mulher não nasce mulher como já dizia Simone de Beauvoir, torna-se mulher. Mulher não sabe exatamente quem é a outra mulher que está no mesmo ambiente que ela, dando em cima de você. Já que culturalmente somos ensinadas que há uma outra mulher querendo o parceiro, e ainda que ela tem que cismar com a outra mulher. Fomos ensinadas assim, a competir umas com as outras.

O autor diz que ser mulher é namorar, casar, procriar e criar os filhos. Não. Foi assim durante muitos anos, foi assim até a pouco tempo na verdade, mas nós lutamos e conseguimos o direito de existir. E é isso que fazemos até hoje, lutamos. Lutamos. Lutamos de novo. E de novo.

Existe uma frase que diz, mais ou menos assim, “um escritor bom escreve sobre o que conhece”. E um homem escrever sobre mulher não é uma coisa nova, entretanto hipócrita. É como uma pessoa católica sem nunca ter estudado o budismo falar sobre tal assunto. É como um cientista cético falar de religião. Não tem vivência. É como o senhor feudal falar pelo escravo. Não, não se pode aceitar isso. Cito aqui que J.K. Rowling ou Joanne Rowling (autora do best-seller Harry Potter), que foi aconselhada a usar pseudônimo por saber que livro de mulher não vende.

Quando homens escrevem sobre mulheres eles escrevem ou sobre as putas ou as santas, são essas que estes conhecem. Nós não somos santas e nem loucas ou putas mas se formos, a escolha é nossa e não da sociedade que nos rotula. Não estamos aqui para ser isto ou aquilo. Como mulher, não me identifico com o que está escrito no texto “Mulher” citado acima. Não sou obra divina, não sou castrada, não sou mãe e não acredito que instinto materno existe. Mas isso é outro assunto.

Mulher, o que é ser mulher? Ser mulher é nascer com um propósito, nascer com uma luta, nascer com um caminho traçado pela sociedade e quebrá-lo todos os dias. Mulher, que luta para ser um ser, mulher que luta para ser humana, mulher que luta por seus direitos, por existir, para ter um lugar. Mulher que todo santo dia luta para chegar em casa viva. Isso é ser mulher. Não somos seres divinos, não somos a mãe dos seus filhos, não fomos criadas a partir da sua costela. Mulheres, queimadas ou caladas. Mulher a que tem uma vagina.

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we heart it

– Critica a cronica Mulheres de autor desconhecido.

– Beatriz.